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IMPORTÂNCIA DA VIVÊNCIA DOS LIMITES

Na atualidade muito se tem falado sobre a importância dos limites na educação das crianças e adolescentes.

Ultimamente, temos visto vários exemplos de falta de limites, situações que, em sua maioria, são o resultado de uma educação extremamente permissiva, com total ausência de limites.

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Diante disso, muitos pais ficam se perguntando e buscando respostas para uma questão que devem, antes de qualquer coisa, fazer a si próprios, qual seja: “O que é e como dar limites?”

Todos nós temos uma idéia geral a respeito do que é dar limites. Mas, e na prática? Será que estamos conseguindo realizar esta tarefa?

Muitas vezes, transmitir os limites de forma legítima aos filhos é mais complexo do que possamos imaginar.

Qual a melhor forma de transmiti-los? Qual o seu real valor? Qual a importância dos pais e da escola nessa tarefa?

Antes de mais nada, os pais precisam ter certeza de uma coisa: dar limites é importante. Esta é uma tarefa que cabe, primeiramente, aos pais/responsáveis. A responsabilidade por esta tarefa não pode ser delegada. É certo que a escola é uma instituição que muito irá colaborar com os pais nesse sentido, mas nunca os poderá substituir. Este deve ser um trabalho conjunto.

E porque dar limites é importante?

A vivência dos limites é fundamental para a construção e desenvolvimento de qualquer ser humano, pois através dele percebemos que lugar ocupamos no mundo (família, escola, trabalho) e na relação com o outro.

Na infância, a construção dos limites vai de encontro ao processo de diferenciação e percepção da existência de uma fronteira entre eu e o outro, pois ao se deparar com a “imposição” de um limite, a criança poderá desenvolver habilidades saudáveis para lidar da melhor maneira possível com eles.

Nesse sentido, algumas dificuldades surgem, pois entendemos que para esse processo ser vivenciado de forma saudável, os pais e educadores exercem um papel fundamental.

Exemplificando:

Se os pais repreendem seu filho por cometer excessos (como bater no coleguinha por algum desentendimento que tiveram) e ao chegar em casa eles mesmos cometem atos excessivos como, por exemplo, bater com violência, estão, na verdade, ensinando-o como agir nesse tipo de situação ao invés de oferecerem alternativas e recursos para lidar com suas frustrações. A grande questão gira em torno da forma como transmitimos os limites e valores principalmente às crianças, já que a s mesmas, na medida do possível, precisam de noções claras, constantes e seguras do mundo, o que não significa que posteriormente na vida adulta, estes não possam ser transformados e modificados (Aguiar, 2005).

A relação entre os pais:

Os pais precisam agir em concordância um com o outro, do contrário, um acabará desautorizando o outro e a criança não saberá claramente o que é o certo e o que é o errado.

É importante que os pais também estejam atentos à maneira como este limite está sendo dado, à forma como eles se comunicam com os filhos.

No exemplo anterior os pais dizem uma coisa, mas fazem outra, estabelecendo uma comunicação contraditória. Um outro exemplo poderia ser o pai ou a mãe que repreende o filho com um tom de voz totalmente contraditório à mensagem que pretende passar.

Um outro ponto importante é o fato de reconhecermos e confirmamos os sentimentos das crianças e dos adolescentes, sejam eles de raiva ou tristeza diante de algo que não conseguiram. Isso não significa permitir que estes sejam expressos de qualquer maneira. Tanto os pais, quanto os educadores podem ser grandes facilitadores da expressão destes sentimentos.

O processo de educar:

Educar é um processo longo, que envolve um novo desafio a cada dia. Cada situação tende a se repetir inúmeras vezes, com uma nova roupagem, porém com a mesma essência.

Nesse caminho, algumas complicações podem surgir porque o tempo todo estamos lidando com nossos próprios limites, atualizando-os e os revivendo a maneira pela qual os internalizamos.

Hoje em dia, muitos pais são tão imediatistas quanto seus filhos, ou seja, querem tudo para agora. No entanto, em educação as coisas não funcionam dessa forma. Há que se repetir com calma, milhares de vezes a mesma coisa para funcionar.

Nós vivemos em um meio social que nos exige o cumprimento de regras o tempo todo. Uma boa vivência dos limites dá a sensação de segurança e conforto, pois é extremamente ameaçador para a criança ter que decidir o tempo todo o que quer, sempre de acordo com seus desejos, já que a mesma está construindo suas referências do mundo. A vida infantil marca o início do desenvolvimento enquanto sujeito e nesta fase é muito importante termos uma mão guia que nos dê segurança.

Contudo, devemos estar atentos ao equilíbrio apresentado nos limites, uma vez que seu excesso pode dificultar a condição de autonomia e escolha da criança. Em contrapartida, a sua falta pode gerar insegurança e noções equivocadas das pessoas e do mundo que a cerca.

É importante ter o cuidado de, ao criticar alguma coisa que a criança fez de forma indevida, se referir apenas ao fato específico e não como se o ocorrido fosse algo inerente à criança ou a sua personalidade. Por exemplo, dizer “Meu filho, não é correto pegar o que não é seu sem pedir antes ao dono” e não “você é desonesto, egoísta e quer tudo para você”.

Nesta tarefa de estabelecer limites, não só a crítica aos comportamentos inadequados é desejável, mas também os elogios aos comportamentos adequados são importantes. Aprovar o que o filho faz de bom, o positivo e reprovar (lembrando que reprovar não corresponde a agredir, bater ou humilhar) e não estimular as atitudes negativas, destrutivas ou agressivas é um dos caminhos para estabelecer limites.

Autoridade x Autoritarismo

Um outro ponto que merece atenção é a diferença que existe entre a forma autoritária de exercermos o limite e o autoritarismo que muitas vezes se faz presente.

A autoridade se apresenta como uma função crucial que deve ser desenvolvida pelos adultos. Ela abarca um real interesse pelas necessidades da criança, oferecendo a ela segurança e cuidados que são necessários e que elas ainda não conseguem perceber.

Em contrapartida, o autoritarismo está desvinculado dos sentimentos e cuidados com a criança. Está relacionado a uma postura arbitrária no qual o adulto exerce o seu poder e suas necessidades prevalecem acima de tudo.

Este comportamento é extremamente comprometedor e pode tornar a criança insegura e revoltada, sem saber quando deve reivindicar pelas suas necessidades. Nesses casos sua autoestima pode estar ameaçada.

 

Referência: Aguiar, L.Gestalt- terapia com Crianças: Teoria e Prática

* Este texto é parte integrante de um projeto realizado pelas autoras. *

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