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Psicoterapia Infantil: É só brincadeira?

Assuntos: Criança e Adolescente, Psicólogo RJ | Autor: Tatiana Queiroz | | Postado em 11.05.2015

psicoterapia infantil“Meu filho precisa de um psicólogo”.

“Depois de ficar aflita e tentar entender o que acontece, sem solução, resolvo buscar ajuda. Claro, peço uma indicação na escola, quero levar meu filho no melhor profissional. Quando ligo para marcar, pra minha surpresa a psicóloga diz que primeiro, quer conversar com os responsáveis. Já acho estranho, afinal, é meu filho quem precisa de ajuda urgente!!!

Depois de umas duas sessões conosco, finalmente ela resolve ver meu filho. Quando chegamos em casa, eu pergunto o que ele achou da terapia, curiosa para saber o que foi dito na sala de atendimento. E para meu desespero, meu filho responde: “Gostei muito. Nós brincamos, pintamos, foi muito divertido”.

E agora? Será que a psicoterapia infantil pode ajudar realmente, ou será só brincadeira?

Psicoterapia infantil é só brincadeira?

Normalmente uma criança não chega ao consultório, sentando, cruzando as pernas e falando sobre seus problemas, como um adulto faz. Até porque, ir à terapia não foi sua escolha, mas de seus responsáveis. Muitas vezes, elas nem sabem o porquê estão ali, ou não entendem… Por isso, depois de me apresentar, apresentar a sala e os materiais lúdicos e explicar a ela porque seus pais me procuraram, não é incomum eu ouvir: – “Agora podemos brincar?” ou “Vamos desenhar?”

É como se elas estivessem me dizendo: “vamos deixar de blá blá blá e vamos para o que interessa?” Uma das principais formas das crianças se comunicarem, se relacionarem e se desenvolverem é a linguagem lúdica (brincadeiras, desenhos, jogos). É através das atividades lúdicas que elas expõem seus medos, seus desejos, que aprendem sobre si, experimentam novas possibilidades e constroem suas potencialidades.

Para as crianças, diferente dos adultos, brincadeira é algo sério. “Nós adultos, costumamos relacionar as brincadeiras, os jogos, á tempo livre, recreação, e afastamento da realidade”. No entanto, quando uma criança brinca, não é para passar tempo, sua escolha é motivada por processos íntimos, desejos, problemas e ansiedades”. (FIGUEIREDO, 2004)

O que acontece na sala de atendimento?

Cada psicólogo trabalha de uma forma. Essa forma irá depender de sua abordagem teórica e seu estilo pessoal. Como Gestalt-terapeuta, a maioria das vezes eu trabalho com sessões livres, ou seja, sessões em que a criança escolhe o que ela quer fazer. Podemos pintar, desenhar, jogar algum jogo, conversar, inventar uma brincadeira, fazer uma encenação e tudo mais que nossa criatividade possa permitir. Também posso usar testes projetivos, ou jogos mais estruturados que estejam de acordo com a necessidade da criança. O fato é que independente do que a criança for escolher, será possível trabalhar suas questões. Muitas vezes, o trabalho já começa a partir das escolhas… Como é para a criança escolher, o que ela quer fazer na sessão? É fácil? É difícil? Como ela se comporta, quando está gostando da atividade e o tempo da sessão acaba?

Outro exemplo: A criança escolhe jogar. Como ela joga? Ela costuma facilitar pra mim? Ou costuma trapacear? E quando perde? Como reage? Como vocês podem ver, não é simplesmente um jogo. O tempo todo estamos interagindo com a criança, conhecendo seu funcionamento e mostrando para ela como ela se comporta nas diversas situações, afim de que possamos juntos construir formas mais saudáveis de lidar com as suas questões.

Para além disso, o que acontece na sala de atendimento, diz respeito à criança, então só falaremos com seus responsáveis, e escola, sobre nossas impressões. Para que possamos realizar nosso trabalho, precisamos estabelecer um vínculo com a criança, baseado na confiança.

Se é meu filho que está tendo dificuldades, porque são necessárias sessões com os pais?

Entendemos a criança e seus comportamentos, como que fazendo parte de um campo maior, um campo relacional que envolve principalmente seus responsáveis e a escola. Seus comportamentos fazendo parte deste campo, não poderá se ajustar, sem a participação deste. O trabalho psicoterapêutico é um trabalho de parceria. Sendo um trabalho de parceria, não só o psicólogo poderá ter necessidade de solicitar uma sessão com os responsáveis, ou de ir até a escola, como ambos poderão fazer o mesmo, caso sintam necessidade.

Quanto tempo durará o processo?

O processo psicoterapêutico não tem um tempo pré-estabelecido. O tempo deverá ser, o tempo que a criança precisar para se auto regular. E isto ficará evidente na melhora da criança. Junto com essa melhora, o que também tem ocorrido com frequência, é que a necessidade da criança de ir para terapia vai diminuindo. É como se aos poucos, não fosse fazendo mais sentido estar ali.

Um dos grandes desafios para nós psicólogos infantis, é lidar com a ansiedade e angústia dos pais, que por quererem que seus filhos logo melhorem, acham que o processo está demorando, ou não está adiantando. Isso tem gerado términos abruptos, com sérias consequências para a criança.

psicologo infantil barra da tijuca

Tatiana Queiroz é psicóloga clínica. Atende crianças, adultos casais e família nos bairros da Tijuca  e Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ. 

FIGUEIREDO, M.M.A. Brincadeira é coisa séria. Disponível em:  www.unilestemg.br/revistaonline/volumes/01/sumario. 2004. Acesso em: 9 fev. 2015.

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