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A RELAÇÃO CUIDADOR-BEBÊ NA CONSTITUIÇÃO PSÍQUICA

Assuntos: Criança e Adolescente | Autor: Carolina Ruggeri | | Postado em 02.02.2015

psicologo niteroi

Neste breve texto vamos discutir sobre a importância da relação primária mãe-bebê ou cuidador- bebê: 

 Freud (1905), em sua singular importância, discute sobre o significativo papel dos cuidados básicos realizadas na criança pela mãe. Ela – ou sua representante – comparece como a criatura responsável por provocar as primeiras e mais fortes sensações através dos cuidados que dispensa à criança. Tais cuidados são essenciais para a vida psíquica saudável da criança, auxiliando-a no processo de tornar-se um adulto. A mãe comparece, dessa maneira, como essencial para o processo da constituição psíquica.

Ao nos determos um pouco mais na teoria deste e de outros autores psicanalíticos, somos advertidos da importância da ligação inicial da criança com a mãe, ou com quem exerça essa função.

Teoria de Winnicott: 

Ao longo da teoria de Winnicott, como exemplo, somos inteirados da função da mãe suficientemente boa ou do ambiente suficientemente bom para o desenvolvimento emocional do indivíduo. Winnicott (1963) aponta para o desenvolvimento emocional do indivíduo no sentido da dependência absoluta à independência. Ele vive num estado de indiferenciação em relação à mãe, ou ao ambiente suficientemente bom. No início deste processo o bebê percebe a realidade externa como sendo ele próprio. Isto é, ele não é capaz de reconhecer a si como uma entidade separada do mundo externo, ou que algo para além dele exista. Neste sentido, o primeiro estado experimentado pelo bebê é o da dependência absoluta, no qual a sua dependência é total em relação aos cuidados da mãe.

Essa dependência do bebê em relação à mãe é possibilitada pelo estado de preocupação e devoção materna logo após seu nascimento; é o que possibilita à mãe identificar-se com seu bebê e corresponder a todas as necessidades de seu filho neste momento. Tal estado inicial é chamado de preocupação materna primária (Winnicott, 1952) e é identificado como um momento no qual não só o bebê encontra-se profundamente dependente da mãe, mas também esta é encontrada como dependente do bebê – indicando a dupla dependência.

A importância da mãe ou de sua representante neste processo dependência – rumo à independência se dá por dois aspectos. O primeiro está relacionado ao aspecto biológico, ou à própria preservação da vida. Já o segundo, refere-se ao suporte necessário para o desenvolvimento do processo maturacional do bebê. É a mãe-cuidador quem possibilita num primeiro momento ao bebê vivenciar a experiência da onipotência, na qual ele cria o seio, no momento em que ele está lá exatamente para ser criado.

Sendo assim, o meio ambiente teria como função primordial facilitar ou ativar o potencial ou a tendência inata do ser humano em amadurecer, se desenvolver e seguir rumo à independência, participando ativamente deste processo. A mãe-cuidador atuaria como um mediador, apresentando o meio para o bebê e proporcionando a experimentação dos diferentes meios a que é submetido (Winnicott, 1952).

Se faz tão necessário enfatizar a relação primordial cuidador-bebê ao considerarmos que o ambiente-mãe não só contribui para a realização de um potencial herdado, como também participa ativamente da experimentação do potencial por parte do bebê. Ao fazer isso, percebemos que não há uma existência psíquica anterior ao indivíduo, ou pré-determinada, mas uma construção do indivíduo a partir da relação estabelecida entre a mãe-cuidador e seu filho, embora sem desconsiderar a subjetividade da criança em vias de se constituir. Dessa forma, para o amadurecimento psíquico do ser humano é imprescindível um outro, encenado pelo cuidador- mãe, que contribui para o desenvolvimento maturacional e psíquico do bebê.

 psicologo niteroi rjCarolina Ruggeri é psicóloga formada pela UFRJ e especialista em psicologia clínica e Instutucional pela UERJ. Realiza atendimentos psicológicos individuais a crianças, adolescentes e adultos no bairro Icaraí- Niterói, RJ e Centro do Rio de Janeiro, RJ.

 

Referência BIBLIOGRÁFICA

Freud, S. (1905). Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996, vol. 7

Winnicott, D. W. (1952). Psicoses e Cuidados maternos. In: Winnicott, (1958). Da pediatria à psicanálise: obras escolhidas. Rio de Janeiro: Imago, 2000.

_____________. (1963) Da dependência à independência no desenvolvimento do indivíduo. In:___. O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre, Artes Médicas, 1983.

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