-
Blog leia todos os artigos publicados pelos nossos psicólogos

Professor: profissão perigo?

Assuntos: Estresse, Depressão e Síndrome do Pânico | Autor: Priscila Anush | | Postado em 17.05.2015

Sabemos que professor é uma profissão que merece respeito pela nobre missão. Entretanto, ocorreu uma deterioração das condições da formação e de sua prática profissional, diversos trabalhos na literatura mundial mostram que essa é uma das profissões mais estressantes. Isto ocorre tanto em escolas públicas quanto particulares.

O stress pode afetar qualquer pessoa, independentemente da faixa etária e condição socioeconômica. Quando o agente desencadeador se refere à atividade desempenhada pela pessoa, o termo mais correto seria stress ocupacional.

O trabalho possui um lugar fundamental na vida do indivíduo, quando é desprovido de significação, ou seja, não é reconhecido ou é fonte de ameaças à integridade física e/ou psíquica, resulta em sofrimento ao trabalhador.

O stress ocupacional é resultado da percepção da discrepância entre determinadas exigências laborais e os recursos pessoais possíveis de ser dispensados por um indivíduo para tanto. Sendo assim, o indivíduo tem a percepção de uma determinada tarefa como ameaçadora, tendo o comportamento de evitação, enfrentando desse modo uma situação estressante negativa. Neste sentido, o stress em ambientes de trabalho resulta de uma deficiência de ajuste entre o trabalhador e as exigências do emprego. Caracterizando, portanto, um desajuste entre esses dois meios com a relação entre a situação laboral, os fatores estressantes, a reação do organismo por parte do indivíduo e seu possível adoecimento.

O stress ocupacional pode ser decorrente de diversas fontes, algumas delas relacionadas ao ambiente e às condições de trabalho, e outras decorrentes do próprio indivíduo, como características pessoais e interpretações disfuncionais próprias frente às condições presentes.

Na prática docente existem altas exigências, muitas vezes há falta de condições de trabalho e a falta de perspectiva de crescimento. Nesses casos, o professor passa a ver suas atividades como um fardo pesado e sem gratificação pessoal resultando em queda do desempenho, frustração, alteração de humor e consequências físicas e mentais.

Podemos considerar diversas situações como fontes de stress para os professores: falta de material necessário para suas atividades, insatisfação, falta de perspectiva de crescimento, horas de lazer e de descanso sacrificadas para correção de trabalhos e provas, sala de aula em péssimas condições, iluminação inadequada, barulho intenso, número excessivo de alunos por turma, falta de capacitação para lidar com questões pertinentes ao trabalho, necessidade de manutenção da disciplina entre os alunos, as relações interpessoais com os colegas de profissão, clima organizacional da escola, entre outros. Por outro lado, algumas características pessoais podem contribuir para a vulnerabilidade ao stress, como: perfeccionismo, negativismo, necessidade de manter tudo sob controle, necessidade de agradar a todos e expectativas irrealistas quanto ao espaço profissional.

Muitas vezes o professor se depara com a necessidade de desempenhar vários papéis que podem ser contraditórios, como por exemplo, em alguns casos é proposto que ele atenda aos alunos individualmente, e em outros ele tem que lidar com as políticas educacionais para as quais as necessidades sociais o direcionam. Desse modo, ele e o aluno, ficam submetidos às necessidades políticas e econômicas do momento. Estudos sobre o assunto mostram que existe um distanciamento entre a execução das tarefas, realizadas pelo professor, e o planejamento das políticas educacionais geralmente criadas por outras pessoas.

Em outras situações, o professor acaba sendo o gerenciador de situações que, muitas vezes, fogem ao seu controle por despreparo. Neste sentido, a raiva e a frustração são sentimentos que interferem desfavoravelmente na saúde física e mental, sendo a perda de controle mais um agente estressor. Além disso, lhe é exigido uma atualização contínua do saber, porém, ela é ligada a uma renúncia a conteúdos e a um saber que vinha sendo de seu domínio durante anos. Dessa maneira, o professor tem que incorporar conteúdos que não eram mencionados quando começou a exercer a profissão. De acordo com Carlotto (2002), o professor que resiste a estas mudanças tem maiores possibilidades de ser questionado e desenvolver sentimentos de mal-estar.

Segundo Meleiro (2002), caso os professores não contem com um serviço de psicologia e pedagogia eficiente, a somatória dessas situações pode levar a um desgaste tanto físico como emocional, diminuindo o prazer com o trabalho. Além disso, é importante considerar que há uma interação com as atividades de trabalho conforme os acontecimentos da vida pessoal, de modo favorável ou desfavorável. Dessa forma, os recursos internos de cada um irão determinar sua própria adaptação à realidade, ou seja, o auxílio de recursos familiares, sociais e financeiros.

A partir disso, é preciso que o professor, por seu papel como formador de ideias, aprenda a lidar com o stress ocupacional. Dessa forma, contribuindo para uma sociedade mais preparada para enfrentar as dificuldades da vida, com adultos e crianças que consigam se adaptar às exigências do mundo e que possam usufruir uma vida real de qualidade.

Lipp (2002) afirma:

Aos professores compete aprender a controlar o seu próprio stress emocional para que possam, no contexto de uma aula normal, ensinar seus alunos também a manejar o stress da vida de modo saudável e profícuo. Alunos que tiverem professores que lhes ensinem, além do conteúdo programático das disciplinas, técnicas de manejo do stress serão, sem dúvida, adultos mais preparados e resistentes às intempéries da vida. (p. 136)

psicologo barra da tijuca rjPriscila Anush é Terapeuta Cognitivo Comportamental. Atende crianças e adolescentes na Barra da Tijuca e Tijuca, Rio de Janeiro, RJ.

  Referências bibliográficas

Benevides-Pereira, A. M. T. (2002). Burnout: O processo de adoecer pelo trabalho. In: Benevides-Pereira, A. M. T. (Org.) Burnout: quando o trabalho ameaça o bem-estar do trabalhador, p.21-91. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Carlotto, M. S. (2002). A síndrome de Burnout e o trabalho docente. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 7, n. 1, p. 21-29, jan./jun. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/pe/v7n1/v7n1a03.pdf

Figueroa, N.L., Schufer, M., Muiños, R., Marro, C., Coria, E. A. (2001). Um instrumento para a avaliação de estressores psicossociais no contexto de emprego. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 14, n. 3, Porto Alegre. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/prc/v14n3/7851.pdf

Lipp, M.E.N. (2002). O stress do professor, (p.63-80). Campinas, SP: Papirus.

Lipp, M. E. N.; Malagris, L.E.N. (2001). O stress emocional e seu tratamento. In Range, B. (org). Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais: um diálogo com a psiquiatria (p. 475-490). Porto Alegre: Artmed.

Lipp, M.E.N., Malagris, L.E.N.; Novais, L.E. (2007). Stress ao longo da vida. Campinas: Ícone.

Meleiro, A.M.A.S. (2002). O stress do professor. In Lipp, M.N. (org.) O stress do professor, (p. 11-27). Campinas, SP: Papirus.

Tricoli, V.A.C. (2002). O papel do professor no manejo do stress do aluno. In Lipp, M.N. (org.) O stress do professor, (p. 95-107). Campinas, SP: Papirus.

Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Planilhas para você + saiba mais
Sublocação de Sala + saiba mais
Cursos e Grupo de Estudos + saiba mais
Todos os direitos reservados © 2013 Senhora Terapia Design por xCake