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Síndrome do Pânico

Assuntos: Estresse, Depressão e Síndrome do Pânico | Autor: Ana Maya S. El Mann | | Postado em 18.11.2013

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O tema medo está na ordem do dia a dia. Tal fato pode ser percebido na quantidade de informações veiculadas sobre o assunto na atualidade, em diversas matérias de jornais e revistas, que o abordam em suas várias dimensões. Neste cenário de medo, stress e pressão constante, tem sido grande o número de pessoas que batem à  nossa porta com a tão famosa Síndrome do Pânico.

Não importa qual a classe social, pessoas que sofrem desta síndrome vão aos consultórios e clínicas, frequentemente com a sensação de que estavam prestes a morrer ou de ter um ataque cardíaco e saem de lá sem que, muitas vezes, alguém seja capaz de lhes esclarecer qual a verdadeira origem de seus males. Geralmente, estas pessoas passam por uma série de consultas e exames, vão ao cardiologista, neurologista ou outro especialista, culminando muitas vezes na emergência dos hospitais. Assim, percebemos que muitos percorrem caminhos equivocados na busca de superação do quadro, logo, um mau diagnóstico pode levar essas pessoas a conviver com enormes desconfortos, que acabam se estendendo à toda a sua família.

O que é a Síndrome do Pânico?

A Síndrome do Pânico ou Transtorno do Pânico é definido por SILVA (2004) como um quadro clínico em que ocorrem os chamados ataques de pânico inesperados e recorrentes, que aparecem subitamente sem nenhuma causa aparente. O indivíduo sente uma súbita sensação de intensa apreensão, medo ou terror, comumente associada a sentimentos de desastre e/ou fim iminente. O ataque de pânico está associado a uma grande variedade de sensações físicas perturbadoras.

Quais são Características do Ataque de Pânico?

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 4ª Edição – DSM IV – o ataque de pânico caracteriza-se por:

O ataque tem um início súbito e aumenta rapidamente, atingindo um pico (em geral em dez minutos mais ou menos), sendo com freqüência acompanhado por um sentimento de perigo ou catástrofe iminente e um anseio por escapar. Os treze sintomas somáticos ou cognitivos são: palpitações ou taquicardia, sudorese, tremores ou abalos, sensações de falta de ar ou sufocamento, sensações de asfixia, dor ou desconforto torácico, náusea ou desconforto abdominal, tontura ou vertigem, desrealização (sensações de irrealidade) ou despersonalização (estar distanciado de si mesmo), medo de morrer, parestesias (anestesia ou sensações de formigamento) e calafrios ou ondas de calor. (DSM IV, 2002, p. 420)

 

 Ao vivenciar uma 1ª crise, dirigindo ou em outro ambiente qualquer, a pessoa sente-    se fragilizada e pode desenvolver o medo de que essas sensações desagradáveis se repitam. Desta forma evitam locais e/ou circunstâncias que crêem provocar novas crises, limitando-se cada vez mais.  Aos poucos o nível de ansiedade e o medo de uma nova crise podem atingir proporções tais, que a pessoa com o transtorno do pânico pode se tornar incapaz de levar uma vida normal (deixando de dirigir, freqüentar locais cheios ou até mesmo sair de casa).

Geralmente as pessoas que apresentam este quadro, tendem a assumir uma carga excessiva de responsabilidades ao longo de sua vida, negligenciando, muitas vezes seus limites psicológicos e orgânicos (como cansaço excessivo, dores físicas, dificuldades respiratórias etc.). Desta forma, com o passar do tempo, pode ser gerada uma fragilidade, que será percebida em momentos que demandam um esforço maior de adaptação. Logo, momentos de stress, como uma discussão ou um local cheio, podem funcionar como um disparador de algo que já se encontrava ali. A doença é como uma válvula de escape na tentativa de se adaptar ao ambiente na qual a pessoa está inserida. Se este ambiente é inadequado, o organismo tenta se adequar na tentativa de tolerar o que é vivido. Portanto, esta síndrome simboliza de forma orgânica e psicológica uma maneira do indivíduo se relacionar com o mundo.

Como superar a Síndrome de Pânico?  

Compreendendo-se que a síndrome representa um desequilíbrio vivenciado pelo indivíduo, o tratamento mais indicado é o acompanhamento psicológico, através do qual a pessoa tem a possibilidade de observar e desenvolver uma nova forma de lidar com as situações propulsoras das crises. Neste novo encontro, são compartilhados pensamentos, sentimentos, medos, angústias e diversas outras questões que serão divididas nesta relação única do cliente com seu terapeuta.

Conforme o aprendizado é adquirido, e o autoconhecimento ampliado, o indivíduo consegue buscar novas estratégias de vida e naturalmente consegue superar o quadro. Em alguns casos específicos, observamos que conjuntamente com a psicoterapia, onde o sujeito aperfeiçoará seus recursos internos, poderá ser pertinente o uso da medicação (prescrita e acompanhada por um psiquiatra). Observamos que com a sua melhora, o indivíduo apresenta também transformações biopsicossociais, que influenciam positivamente a sua vida como um todo.

 Gostou da matéria? Entre em contato e conheça o trabalho realizado pelo psicóloga Ana Maya S. El Mann.

Ana Maya S. El Mann

        Ana Maya S. El Mann é psicóloga clínica, graduada em psicologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ (2005),  Psicóloga Clínica formada pelo ” Curso de Especialização  em Gestalt-terapia e Atendimento Familiar” do IGT ( Instituto de Gestalt- terapia do Rio de Janeiro, 2009) e formada pelo Centro de Psicologia Aplicada e Formação (CPAF/RJ, 2010).

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

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AUGRAS, Monique. O ser da compreensão: fenomenologia da situação de psicodiagnóstico. Petrópolis: Vozes, 1996 – capítulo 1, Por que não fenomenologia? (pág.7 a 17).

DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e Semiologia dos transtornos Mentais. Porto Alegre: Artes Médicas. Sul, 2000.

FRAZÃO, L.C.. Funcionamento saudável e não saudável enquanto fenômenos interativos. Revista do III Encontro Goiano de Gestalt Terapia, Ano 3, 1997.

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SAVIOLI, Roque Marcos. Não entre em Pânico! São Paulo: Gaia, 2007.

SILVA, Ana Beatriz B. Silva. Mentes com medo: da Compreensão à Superação.   São Paulo: Integrare Editora, 2006.

SILVA, Marcelo Pinheiro da. A Clínica da Síndrome do Pânico. Dísponível na internet: http://www.igt.psc.br/ojs/viewarticle.php?id=32&layout=html Acesso em: 20 de mar. 2009.

SILVEIRA, Teresinha Mello da. Resistência e Evitação In: Gladys D’Acri; Patrícia Lima; Sheila Orgler. Dicionário de Gestalt-Terapia: “Gestaltês”. São Paulo: Summus, 2007.

YONTEF, Gary M. Processo, Diálogo e Awareness. São Paulo: Summus 1998.

 

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