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Mentiras e verdades nos sistemas íntimos

Assuntos: Psicólogo RJ, Relacionamentos | Autor: Joseph Zinker | | Postado em 05.10.2013

Com um texto muito atual, Zinker nos ajuda a pensar  sobre as consequências das mentiras nos relacionamentos íntimos!

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Mentir para uma pessoa íntima:

“”O que acontece quando alguém mente para uma pessoa íntima? Uma mentira cria imediatamente uma distância entre a pessoa que a diz e aquela que a recebe. Ela diz: “Não quero que você me conheça”. Muitas vezes as pessoas dizem: “Menti para não magoá-lo”. Esta provavelmente é uma projeção, pois aquilo que está sendo expresso é o medo de ser ferido em retaliação pela pessoa que foi decepcionada ou traída. Assim, protegemos a nós mesmos da mágoa que pode ser causada por nossa própria verdade.

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Mentira que distancia:

Se você está tendo um caso amoroso e ainda está comprometido com sua mulher, continuar ocultando dela o fato criará uma distância entre ambos. A terceira pessoa é agora uma barreira entre vocês dois. Os problemas que o levaram ao caso não são confrontados no relacionamento primário e, em vez disso, são lidados de modo indireto com o novo parceiro.

Mentir é decidir não conhecer o outro e não se tornar conhecido de algum modo especial pela pessoa de quem se é íntimo. Existem vários tipos de razões complexas pelas quais podemos decidir não ser conhecidos, mas a outra pessoa geralmente experienciará isto como uma perda. Quando “protegemos” alguém que amamos, nós também perdemos uma parte do relacionamento que é potencialmente preciosa, poderosa ou enriquecedora. E lamentável; é uma perda.

 

Mentira e impotência:

A mentira não só separa e aliena, mas também impede o outro de escolher como experienciar e agir numa realidade compartilhada. A mentira bloqueia a liberdade do outro para reagir e responder à “realidade” e o coloca num limbo em que só é possível responder ao que “parece” existir no relacionamento.

Se, por exemplo, você estiver procurando outra pessoa por causa de um problema sexual com seu parceiro, o seu parceiro não terá como falar sobre o lado dele do problema, não tem como confrontá-la com seu lado da dificuldade, ou de oferecer ajuda para resolvê-lo.

Além disso, seu parceiro não tem como experienciar a raiva, o espanto ou o desapontamento por sua traição, nem pode agir em resposta a esses sentimentos.

As falsidades ou as distorções da verdade mais comuns nos casais estão ligadas ao dinheiro e às relações sexuais com outras pessoas.

Mentira, sexo e dinheiro:

Mentiras ou falta de abertura em relação a dinheiro tem a ver com manter o controle ou o poder sobre o outro. Em alguns casamentos tradicionais, os maridos não revelam suas posses financeiras a suas esposas e simplesmente depositam quantias pré-combinadas nas contas delas. Em casamentos mais contemporâneos, a situação não é tão simples, pois muitas mulheres trabalham fora de casa e contribuem financeiramente para a manutenção da casa.

O segredo a respeito de encontros sexuais fora do relacionamento tem características similares. O parceiro que está “atuando” mantém o controle e o poder sobre o outro e não conta a verdade. O parceiro “enganado” não tem oportunidade de responder, de ameaçar, de levar adiante, de chorar e se enraivecer, de abandonar o relacionamento ou de assumir liberdades semelhantes fora do relacionamento. A mentira mantém um status quo no relacionamento do casal.

Alguns terapeutas acreditam que o casal coopera inconscientemente para convidar uma terceira pessoa (triangulação) — um tipo de “terapeuta sexual” — para ajudá-los a manter a estabilidade de um relacionamento íntimo fraco ou titubeante. Tenho visto evidências disto em alguns casos, nos quais toda a comunidade sabe das indiscrições do parceiro, mas, como o marido nunca faz perguntas reveladoras, o caso é reforçado e perpetuado. Marido e mulher vivem alienados numa agonia silenciosa durante anos.

A teoria de sistemas parece afirmar que a pessoa que é “enganada” coopera inconscientemente com o mentiroso, por exemplo, não confrontando o parceiro a respeito de diversos assuntos. As pessoas nem sempre pressionam seus parceiros a respeito de sua renda ou de outras questões financeiras. Mas se a pessoa que é “enganada” simplesmente não for capaz de contextualizar uma situação como sendo enganadora, como ela poderia formular um confronto sem sentir-se “louca” ou “paranoide”? Apesar disto, existe uma expressão: “Se você se sente paranoide, talvez alguém esteja tentando pegá-lo!”.

Os casais raramente se confrontam, pois parece não querer saber. O conhecimento é negado, afastado e reprimido por ser muito doloroso. Quer a verdade oculta se refira a encontros sexuais, dinheiro, ou a outro assunto importante para o casal, o resultado é quase sempre uma perda de proximidade e de intimidade””.

Texto extraído do livro

Referência:A Busca da elegância em psicoterapia: Uma abordagem gestáltica com casais, famílias e sistemas íntimos. / Joseph C. Zinker

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