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Em troca você é minha

Assuntos: Psicólogo RJ, Senhora Terapia, Transtornos Alimentares | Autor: Joana Cardoso | | Postado em 21.03.2016

Em troca você é minhaAo nos depararmos com uma situação em que alguém paga os gastos de outra pessoa, seja um pai, uma avó ou um namorado, costumamos atribuir ao ato um gesto de generosidade, amor e cuidado. Não percebemos facilmente que dinheiro é também uma forma de poder, com a qual podemos exercer uma relação de controle sobre o outro.

Quando, por exemplo, um pai insiste em pagar algumas contas do filho, existe aí uma relação de poder silenciosa. A independência de um filho, por mais desejada, é também muito temida. É a constatação de que ele não depende mais de você, logo, as decisões dele não precisam ser mais consultadas e autorizadas. Nesses casos, o dinheiro entra em cena porque garante a dependência e a proximidade entre pais e filhos.

Aquele alívio mensal de não precisar se preocupar com a conta de telefone ou do plano de saúde pode soar como um grande agrado que o pai generosamente faz questão de oferecer ao filho, para deixá-lo mais confortável e com mais sobras para outros gastos. Entretanto, isso tem um custo, e a moeda de troca é a liberdade.

No momento em que isso acontece, o pai automaticamente passa a ter poder sobre as decisões do filho. É como se você tivesse um sócio da sua própria vida e, a partir de então, qualquer escolha deve ser aprovada por ele. Você resolve sair do seu apartamento e ir para um menor, mais em conta. Seu pai interfere dizendo genericos del viagra en mexico que te ajuda com uma grana para você não precisar morar tão longe. Está feita a sociedade. Afinal, quem pagou foi ele, e como diz o ditado “quem paga a conta diz a hora de levantar da mesa”.

Seu marido paga tudo, te enche de presentes e não hesita em aprovar todas as propostas que implicam um aumento do orçamento. Ele pode sim te amar de verdade, mas, a cada vez que ele te dá algo, ele te deixa mais endividada. Essa dívida só pode ser paga de uma forma: você passa a obedecê-lo. O raciocínio, por mais que não seja consciente da parte dele, é “eu te dou tudo, em troca você é minha”. Assim, você perde sua voz e nascem relações de submissão e opressão.

Essa necessidade por parte dele não tem o intuito de escravizar. Ela nasce por conta do medo e da insegurança de perder. Essa foi apenas a maneira encontrada, inconscientemente, de deter o poder na relação. Ser o dominante gera conforto e a certeza de que a situação continuará no controle. 

Não se enganem. Dinheiro é sim uma solução, mas também pode ser a origem de muitos conflitos e de relações patológicas. Ele pode te trazer ou te tirar a liberdade, e é só você quem determina de que maneira vai usá-lo.

psicólogo Jardim BotânicoJoana Cardoso é terapeuta familiar formada pelo núcleo- pesquisa, especialista em transtornos alimentares. Realiza atendimento individual, casal e família no bairro de Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ.

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