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Gestalt-terapia: o que é?

Assuntos: Psicólogo RJ, Psicoterapia e Mudança, Senhora Terapia | Autor: Priscila Marques | | Postado em 30.01.2016

Gestalt-terapia

Na psicologia existem diferentes abordagens que irão nortear o trabalho dos psicólogos clínicos. Dentre estas abordagens, podemos citar: terapia centrada na pessoa, terapia cognitivo-comportamental, psicanálise, gestalt-terapia, etc, sendo esta última a que iremos focar neste artigo.

A Gestalt-terapia é uma abordagem que foi elaborada pelo alemão neuropsiquiatra Frederick Perls, em colaboração com outras 7 pessoas, as quais ficaram conhecidas como o Grupo dos Sete. A palavra Gestalt não possui tradução para a língua portuguesa, gerando, com isto, incompreensões. A ideia é de um todo,  uma forma, uma configuração, mas a própria explicação confunde muitos psicólogos que não seguem esta linha de pensamento. Vamos esclarecer como acontece a sua prática para facilitar o entendimento.

 A Gestalt-terapia é, antes de tudo, uma filosofia de vida, ou seja, uma forma de encarar e enxergar o mundo.  ​Parte do princípio de que somos seres singulares e, por isto, cada indivíduo vivencia a vida de forma única, com base em suas experiências assimiladas ao longo de sua existência. Somos seres em constante relação com o meio em que estamos inseridos, afetando e sendo afetados a todo instante pelo  que vivemos, por quem nos relacionamos, pelo  que vemos, sentimos, falamos, ouvimos. A Gestalt-terapia, neste sentido, é uma abordagem relacional, que enfatiza a experiência vivida, o contato e o diálogo.

No contato que ocorre entre a pessoa e o meio externo, o indivíduo  assimila as novidades que surgem do ambiente e rejeita as que não fazem sentido para ele ou que não irão levá-lo a satisfação de alguma necessidade. É o processo de contato que leva ao crescimento. Entretanto, para ocorrer o contato, temos antes  que identificar quais  as necessidade que queremos atender e estas cialisfrance24.com podem ser, por exemplo, desde um copo d’água para satisfazer a sede, até necessidades mais complexas como a de amor. A água que se busca no meio, ao ser bebida, atende às necessidades organísmicas, isto é, há a satisfação e, em seguida, a possibilidade de outra necessidade ser identificada. As etapas a serem cumpridas neste ciclo de contato, quando interrompidas, impedem o fluxo saudável de satisfação de uma necessidade, levando a conflitos, bloqueios, medos o que geram as situações inacabadas.

 Os sintomas são a expressão das situações inacabadas. Se o indivíduo que sente sede, não bebe água, produz uma boca ressecada. Neste sentido, a doença é um ajustamento criativo, ou seja, a forma possível que a pessoa encontra para lidar, num determinado momento de suas vidas, com os acontecimentos. E muito mais do que vilões, os sintomas e as doenças estão denunciando as dificuldades atuais na relação da pessoa com o mundo. As saídas encontradas em um tempo passado, muitas vezes, não fazem mais sentido ou então causam sofrimento, no momento presente, precisando serem  atualizadas.

Na Gestalt-terapia o foco é no aqui e agora, isto é, trabalhamos no momento presente as situações passadas, que estão interferindo no presente, e as expectativas de futuro. Sendo assim, o cliente pode fazer novos ajustamentos criativos deste passado diante das possibilidades de hoje.

Tipos de atendimento clínico

Os atendimentos clínicos podem ser: individual, grupal, de casal ou de família em faixas etárias diversas. Os terapeutas variam na conduta terapêutica quanto à periodicidade, contudo, via  de regra, os atendimentos individuais são semanais. Já a terapia de casal ou de família são  quinzenais e espaçam, gradativamente, para mensal.

A psicoterapia de grupo varia de acordo com os terapeutas, podendo ser semanal, quinzenal, mensal. A escolha do perfil do grupo fica a critério do terapeuta que pode propor um grupo temático, como grupo de gestantes. Trabalha-se também com grupos heterogêneos, ou seja, de pessoas de ambos os sexos, de idades variadas e com temas diferentes; grupos fechados ou abertos; além de ser comum, na Gestalt-terapia, a proposição de workshops de fim de semana.

Quanto a sua aplicabilidade, esta abordagem se mostra eficaz para trabalhar medos, fobias, depressão, psicoses e transtornos em geral, pois, nos importa não apenas o que o cliente apresenta em termos de diagnóstico, mas o que ele faz com o que sabe sobre si. Sendo assim, nosso olhar será no processo e o diagnóstico será, então, processual.

A vivência terapêutica

O terapeuta escuta o que é dito (conteúdo), mas observa, principalmente, a forma como fala sobre o que está trazendo como questão para a sessão. Desta forma, presta atenção, por exemplo, à entonação da voz e às expressões corporais, buscando as incongruências entre o que está sendo falado e o que está sendo mostrado. É de extrema importância observar as evitações, os pontos cegos e, fundamentalmente, como se dá o encontro entre o cliente e o terapeuta.
É através da experiência terapêutica que o cliente pode ressignificar suas experiências dolorosas. Sendo assim, os terapeutas são livres para criar e propor experimentos que visam aumentar a awareness do cliente.  O terapeuta nunca será uma figura neutra. Ele faz parte do campo, logo ele afeta e é afetado por ele.

Concluímos, então, que cada pessoa terá uma percepção diferente da do outro e será a partir de como ela apreende uma determinada situação, um sentimento, uma sensação, que se desenvolverá a sessão terapêutica. Quanto mais contato o cliente fizer com o que está vivenciando, maior será a consciência sobre si mesmo e adquirirá mais autossuporte, maior capacidade de fazer boas escolhas, mais autonomia. Esta abordagem acredita no potencial do ser humano, buscando a aceitação por parte deste do que é possível, viabilizando assim a mudança. Terminamos então citando Beisser (1980, p. 110): “a mudança ocorre quando uma pessoa se torna o que é, não quando tenta converter-se no que não é”.

psicologa-tijuca-priscila-marquesPriscila Marques é psicóloga clínica, realiza atendimentos individuais, grupo, casal e família na Tijuca, Rio de Janeiro. Coordenadora de Seminários Nacionais e Internacionais em Gestalt-terapia pelo IGT (2009 a 2011). Membro da Comissão Organizadora do IV e V Congresso de Gestalt-terapia do Estado do Rio de Janeiro (2012/ 2014).

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