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Faz sentido escolher um psicólogo por suas crenças religiosas?

Assuntos: Senhora Terapia | Autor: Tatiana Queiroz | | Postado em 03.05.2017

psicologia e religião

O que motivou a escrever este texto foi observar a demanda, que ocorre vez por outra, por parte de algumas pessoas, por psicólogos de determinada religião. Quando isso ocorre, naturalmente procuramos explicar para as pessoas, com base em nosso código de ética, que não podemos “misturar psicologia com religião”.  Mas a pergunta é: Será que por trás deste pedido, existe mesmo uma expectativa por essa mistura da psicologia com a religião? Sempre que chega até mim um pedido como esse, eu pergunto: Porque você acha que um psicólogo que tenha suas crenças religiosas pode ser mais útil? A resposta? Sempre a mesma: “Porque acredito que ele poderá me compreender melhor, e respeitará minhas crenças”. Sim, também é comum ouvir, dessas mesmas pessoas, que ou já tiveram uma experiência com psicólogos que desqualificaram suas crenças ou já ouviu algum relato desse tipo de experiência que a desestimulou a fazer psicoterapia.  E qual é a grande questão ai? Muitas pessoas religiosas, click here que precisam de atendimento psicológico tem evitado procurar ajuda. Por isso, como psicóloga, acredito ser importante de um lado, esclarecer melhor essas pessoas, e de outro refletir sobre como tem sido nossa postura.

O psicólogo pode se intitular como psicólogo de determinada religião?

No Artigo 1C, do código de ética do psicólogo, diz: “que um dos deveres fundamentais do psicólogo: [..] prestar serviço utilizando princípios, conhecimento, técnicas, reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica, na ética, e na legislação profissional”. Portanto, o psicólogo não deve se intitular como psicólogo de determinada religião, e nem atender a essa demanda, já que atendê-la implicaria em uma pratica influenciada por pressupostos religiosos.

O psicólogo pode ter uma religião?

O psicólogo, como qualquer outro ser humano, pode ter uma religião, como também pode não ter. Ele só não pode se valer da sua religião ou da falta de crença religiosa, em sua prática profissional.  O que isso quer dizer? Que não é ético de nossa parte  utilizarmos  nossas crenças religiosas em nossa prática profissional, assim como não é ético que  psicólogos que não possuem uma crença religiosa, desrespeitem ou desqualifiquem as crenças de seu cliente…

Será então, possível para um psicólogo conciliar suas crenças com a sua pratica profissional?

É possível, desde que ele saiba separar o que é seu do que é do outro. Seria desrespeitoso e antiético desqualificar as crenças de nossos clientes, com base na nossa crença ou descrença pessoal.  O exercício de diferenciar a sua necessidade da necessidade do outro   deve ser constante em nossa profissão, levando em conta não somente a temática da religião, mas todas as outras. É importante lembrar que vivemos em um pais laico, o que permite convivermos com diferentes religiões, o respeito a elas, passa não só por direitos éticos, mas constitucionais.

Respeitar as crenças dos meus clientes, significa que tenho que concordar com elas?

Respeitar as diferenças não significa que temos que concordar com elas. Sempre teremos nossas opiniões pessoais, nossos valores pessoais. Que aliás devem estar bem claros para nós, para que possamos aprender a deixá-los em suspenso quando estivermos com nossos clientes, e trabalharmos com o que o cliente traz: seus valores, crenças, sua visão de mundo.

Se a religião não é um critério para uma boa escolha, qual deve ser?

Para a escolha de um bom profissional é preciso checar sua formação, sua linha de trabalho, já que existem várias metodologias na Psicologia. Um bom profissional levará em conta os valores e crenças de seu cliente, independentemente de seus valores e crenças pessoais e até mesmo de sua abordagem. E com certeza fará isso levando em conta um princípio básico que aprendemos muito antes de ser psicólogo, o respeito!

psicologo barra da tijuca

Tatiana Queiroz é psicóloga clínica. É uma das idealizadoras do Maternar Psi, que é um núcleo para atendimento de mães, pais, casais e famílias. Tem se dedicado a estudar sobre maternidade, seu impacto para a mulher e para a relação conjugal. Tem  formação em Coaching Psychology. Ministra cursos e palestras em psicologia e Coaching. 

 

 

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