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Superação: um pouco sobre o conceito de resiliência

Assuntos: Superação | Autor: Rosiane Seixas | | Postado em 31.03.2014

superação e resiliência Ao longo da vida estamos sujeitos a uma infinidade de acontecimentos que surgem repentinamente e, muitas vezes, fogem ao nosso controle. Nestes momentos, o indivíduo é obrigado a se ajustar, ou seja, move recursos internos (referentes a aspectos biológicos e psicológicos) e externos (referentes ao ambiente) para lidar com a situação inusitada.

            Lidar com situações novas nem sempre é uma tarefa fácil, pois a novidade desorganiza uma estrutura emocional já conhecida e retira a pessoa da sua zona de conforto. Entretanto, por mais difícil que pareçam algumas situações, é fora dessa zona de conforto que ocorrerá o crescimento pessoal, e muitas vezes não notamos a oportunidade de reinvenção de nós mesmos.

 

Diante das dificuldades

            Um exemplo de evento inusitado é o surgimento de uma doença, às vezes, difícil de se lidar. Conforme o tipo da doença será preciso cuidados mais rígidos, podendo ocorrer uma internação hospitalar e/ou uma intervenção cirúrgica. Geralmente estas situações são consideradas penosas, causando desestruturação da rotina cotidiana e, ao mesmo tempo, resultando em desordem emocional. Nestes casos, o indivíduo é obrigado a se reorganizar, tanto física quanto psicologicamente, para conseguir vivenciar este momento.

            Quando as pessoas passam por momentos de adversidade, em situações árduas e dolorosas, podem sair desta experiência com sequelas do trauma, adotando uma postura vitimizada e enxergando a vida de uma maneira negativa. Por outro lado, também é possível encontrar pessoas que passaram pelas mesmas situações e seguiram seu desenvolvimento emocional e profissional de forma saudável mantendo um olhar positivo para a vida. No último caso, dizemos que esta pessoa encontra-se resiliente.

O que é resiliência?

            Resiliência é a capacidade de uma pessoa enfrentar, superar e transformar-se ao viver a adversidade. Segundo Grotberg (1995), é a capacidade que possibilita a pessoa prevenir, minimizar ou superar os efeitos nocivos dos momentos difíceis, inclusive saindo fortalecido ou até mesmo transformado, porém não ileso.

            A resiliência não é uma característica permanente da personalidade da pessoa, mas sim uma condição que pode ser estimulada, dependendo das circunstâncias em que se encontra. A forma como cada um agirá nos momentos de adversidade resulta da influência de uma multiplicidade de fatores, tais como a história pessoal vivida, valores e crenças construídos, a rede de pessoas a sua volta e o contexto social em que vive.

            A resiliência não é somente sobreviver à situação adversa, mas olhar o mundo de forma positiva, com cuidado e compromisso em relação à vida. Ser resiliente é “dizer e viver um grande SIM à vida, apesar de tudo” (SILVEIRA & MAHFOUD, 2008, p.575).

O que fazer para estar resiliente diante das dificuldades da vida?

            Diante de momentos difíceis, considerados como um perigo para a integridade da pessoa, fatores externos e internos estão em interação e podem contribuir para a resiliência. Os fatores internos dizem respeito aos aspectos biológicos e psicológicos, e os externos relacionam-se com características do contexto familiar, social e ambiental. Nesta interação, podem-se destacar alguns fatores de risco e proteção.

            Fatores de risco são influências negativas que deixam o indivíduo propenso a dar respostas traumáticas. Fatores de proteção são influências positivas que modificam ou melhoram a resposta de uma pessoa ao risco, relacionados a características individuais ou ambientais que desempenham uma função de proteção.

            Neste texto escolho destacar alguns exemplos de fatores de proteção: autoestima positiva, autocontrole, autonomia, orientação social positiva, otimismo, altruísmo, estabilidade familiar, respeito entre os membros familiares, apoio emocional, reconhecimento de laços afetivos, relacionamentos saudáveis com colegas, professores, e outras redes de apoio disponíveis.

            É importante analisar a situação em que se vive: avaliar quais são os pontos de maior dificuldade, aceitar os fatos que não podem ser alterados, perceber os pontos mais fáceis de lidar, quais recursos emocionais possui, com quais pessoas pode contar, identificar os desafios e as restrições para assim direcionar os esforços para a superação. Os fatores de proteção não excluem as situações estressantes, porém transformam a maneira como o indivíduo enfrenta os eventos traumáticos em sua vida.

            Refletir sobre o momento presente e distinguir os fatores de risco e proteção que permeiam uma situação auxiliam na descoberta de fragilidades e potencialidades. É possível descobrir os pontos que ajudam a modificar o olhar para o que antes parecia difícil demais. Ao descobrir suas capacidades cria-se um suporte emocional de confiança e esperança para enfrentar a vida, por mais difícil que esta se apresente.

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 psicologo meier, terapia meier, rio de janeiroRosiane Seixas é psicóloga,  Gestalt- terapeuta em formação pelo “Curso de Especialização em Gestalt-terapia” do IPGF ( Instituto de Psicologia Gestalt em Figura). Realiza atendimentos individuais a adultos e  terceira idade no Méier e Tijuca,  Rio de Janeiro, RJ. 

Referência Bibliográfica

GRETBERG, E.H. Introdução: novas tendências em resiliência. In: MELILLO, A. & OJEDA, E. N.S.(org). Resiliência: descobrindo as próprias fortalezas. Porto Alegre: Artmed. SILVEIRA, D. R.; MAHFOUD, M. Contribuições de Viktor Emil Frankl ao conceito de resiliência. Estudo de Psicologia. Campinas 25(4) p. 567-576. out-dez 2008. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/estpsi/v25n4/a11v25n4 Acesso em 08 mar 2014

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