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Perdoar é preciso

Assuntos: Autoconhecimento | Autor: Joana Cardoso | | Postado em 10.11.2014

psicólogo jardim botânicoQuem nunca escutou que o tempo é o melhor remédio? Entretanto, quando se trata de questões mal resolvidas, essa ideia pode dar a impressão de que, caso alguma briga aconteça, o tempo se encarrega de resolvê-la. Assim, o conflito é evitado e o assunto fica guardado com aquele que foi ferido.

Com a experiência de quem trabalha em consultório e recebe constantemente pessoas com situações mal acabadas do seu passado, digo com muita convicção: perdoar é preciso. O tempo realmente pode tornar aquela mágoa menos evidente, mas, se não houver o perdão, você continuará preso àquela situação. O perdão, que fique bem claro, não tem a intenção de livrar o infrator do delito, mas a disposição para te libertar a fim de que possa seguir a vida sem aquele nó escondido.

Não quero propor com isso uma desvalorização da gravidade do ocorrido. Quando você perdoa, você está perdoando a pessoa e não o ato. Isso não isenta o infrator das ações cometidas, e sim liberta a vítima. Desse modo, o ato de perdoar não é pelo outro, mas pela própria vítima que se vê presa àquele acontecimento.

Evidentemente, o ideal é que quem errou se arrependa e mostre interesse em reparar a situação, mesmo sem a intenção de retomar a relação pré-existente. Porém, o perdão também pode ser unilateral, apenas com a intenção de libertar a vítima. Esse trabalho pode ser feito através de uma carta não enviada, por exemplo. Ao expor por escrito todas as mágoas e rancores, organizam-se os afetos, com a intenção de que aquele episódio  não seja mais motivo de paralisia. É como se você estivesse descongelando a sua vida do tempo que você tanto evita, mas que, ironicamente, é onde fica paralisado a maior parte do tempo.

É importante lembrar que a infração não necessariamente é algo que alguém cometeu ativamente. É muito comum que o perdão tenha que ser praticado em relação à omissão ou à negligência. Dessa maneira, você perdoaria, por exemplo, os pais que eles não foram para você. O perdão é um meio com o qual você pode seguir adiante com os fatos da vida, sem essa marca de condenação.

Não existe produto de limpeza para apagar por completo a memória. Mas, ainda bem! Porque é ela que vai nos proteger para que não tenhamos que cair sempre nas mesmas situações. Perdoar não é esquecer, mas é viver livre e desamarrado.

 

psicólogo Jardim Botânico Joana Cardoso é psicóloga, realiza terapia cognitivo comportamental.  Especialista  em transtornos alimentares. Faz atendimentos individuais, de família e casal no bairro do Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ.  

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