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UM SENTIMENTO CHAMADO VERGONHA

Assuntos: Autoestima, Medo | Autor: Eduarda Moreira | | Postado em 27.04.2015

shameTenho percebido um aumento significativo de pessoas envergonhadas em meu consultório. Em muitos casos, essa vergonha vem camuflada através de sentimentos como culpa, embaraço ou até mesmo o orgulho, já que a forma de expressa-los podem, em muitos casos, serem semelhantes entre si.

Muitos sabem que a vergonha está presente na maioria das culturas, sendo uma das experiências mais comuns de serem vivenciadas. Um autor chamado Yontef (1998), descreve a vergonha como um sentimento que acompanha a experiência de “não se sentir ok” e/ou “insuficiente” por parte do si. Com isso, fica evidente para nós terapeutas o modo como esse sujeito se avalia, sempre de forma negativa. Por ser vista, em muitos casos como algo “bobo”, a vergonha pouco é valorizada tanto fora quando dentro do espaço terapêutico, podendo acarretar muitas vezes em um não tratamento adequado.

Mas para entendermos sobre o assunto, precisamos compreender qual é a sua origem.

E qual seria a origem da vergonha?

Muitos autores enfatizam que essa construção ocorre durante a infância e por diferentes razões. Por exemplo, quando a criança é exigida em coisas para as quais ainda não tem maturação ou quando seus erros são intoleráveis e seus impulsos, desejos e emoções são inaceitáveis. São ridicularizadas com frequência, sendo os seus desejos menosprezados ou suas boas intenções nunca possuem valor ou até mesmo quando suas conquistas nunca são suficientes para agradar seus cuidadores.

A partir desses exemplos, fica evidente o quanto esses indivíduos acumulam insultos e críticas exageradas contra si mesmos, além de expectativas de perfeição muito além do possível. A mensagem “nunca é o suficiente”, absorvida por eles, está sempre presente. Essas pessoas crescem e, em sua fantasia, fica a ideia de que os outros são tão críticos e reprovadores quanto eles próprios, provocando em si um sentimento de exposição muito alto. Esse sentimento pode exacerbar em ambientes críticos, inseguros e indutores de vergonha.

Esse sentimento se apresenta através de comportamentos e sensações específicas como a face enrubescida, a postura encolhida, a evitação do contato visual, o desejo de esconder-se ou até mesmo a atitude de querer fugir.

O nosso trabalho com os envergonhados nos leva a ter máxima atenção aos mínimos indícios da vergonha e conforme esses comportamentos ou sensações forem surgindo é necessário que tenhamos uma postura de aceitação e confirmação perante ao nosso cliente. É imprescindível não utilizarmos o sarcasmo, provocações, desprezo, pena e nem a condescendência durante os nossos atendimentos. E tentar convence-lo, de forma carinhosa e compreensiva, que seus sentimentos são bobagens é também é uma equívoco.

Esse espaço serve como um ambiente acolhedor, empático e respeitoso encorajando-o a esclarecer e identificar-se com essa experiência atual da vergonha. Esse ambiente facilita que sentimentos como medo, resistência, culpa, raiva entre outros estejam presentes e possam ser trabalhados de forma segura. O trabalho é gradual e demanda tempo, pois é necessário que façamos um vínculo com essa pessoa, respeitando-a em seu desconforto porém ajudando-a a resgatar sua auto-estima e novas formas de ser e agir no mundo.

psicólogo leblon rj

Eduarda Moreira é psicóloga formada pela PUC (RJ) .  Realiza atendimentos psicoterapêuticos à adolescentes, adultos e idosos nos bairros da Barra da Tijuca e Leblon no Rio de Janeiro, RJ.

 

 

 

Referências:

HILLEBRAND, M.; Sentimento de vergonha. Disponível em <http://marciahillebrand.blogspot.com.br/2007/02/sentimento-de-vergonha.html>

YONTEF, G. M.; Processo, diálogo e awareness: ensaios em gestalt-terapia. São Paulo, 1998

 

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