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A chegada do irmãozinho

Assuntos: Criança e Adolescente | Autor: Tatiana Queiroz | | Postado em 28.01.2014

filho unico x primogenito

Este evento muda a vida de toda a família, os pais já não são mais pais de um, e o filho já não é mais o único, mas o primogênito. Os pais têm de se haver com uma nova realidade que envolve dividir o tempo com duas crianças em fases diferentes, de um lado um bebê que requer cuidado integral, e de outro, o filho mais velho que mais do que nunca demanda atenção. No entanto, concordo com Pereira (2007) que embora toda a família sinta essas mudanças, o impacto maior é vivenciado pelo primogênito.

Como o primogênito costuma se sentir?

Na minha experiência com crianças tanto na clínica quanto pessoal tenho observado muitas mudanças comportamentais  tais como: Agressividade, comportamento regredido, as famosas birras, isolamento, dificuldade de aprendizagem etc. Essas mudanças ocorrem desde que a criança recebe a noticia da gravidez, assim como no período de gestação e no período de hospitalização da mãe.

Crianças neste contexto experimentam sentimentos diversos, e muitas vezes contraditórios, como: insegurança, ciúmes, amor, culpa. E as mudanças comportamentais é a forma que encontram para sinalizar que algo está errado com elas e que, portanto, precisam de cuidado.

Embora os pais fiquem desesperados com as mudanças comportamentais, esta é a forma que a criança encontrou para lidar com suas emoções. Á medida que ela se sentir mais segura com a situação, não mais precisará se valer de tais comportamentos.

 Como os pais podem ajudar nesta transição?

Tenho percebido que a forma com que a criança reage à situação também está ligada a como seu contexto vivencia o fato. Embora os pais, a escola, e os parentes não tenham como evitar que a criança vivencie isso de uma forma ameaçadora, pode contribuir e muito para que essa transição seja vivida da forma mais saudável possível.

È uma fase onde o diálogo é fundamental, principalmente para que a criança entenda que seu lugar no coração dos pais está assegurado. E dependendo da idade da criança, é preciso assegurar que seu espaço físico também está, pois muitas crianças podem ter a fantasia que além do amor dos pais, perderão para seu irmão seu quarto, seus brinquedos etc.

 

 As fantasias e dúvidas que surgirão dependerão muito da fase que a criança está vivendo:

  As informações deve levar em conta sua capacidade de compreensão e também suas necessidades.

Além da informação e diálogo, outro componente fundamental é a atenção, pois muito da reação da criança tende haver com a fantasia de perder o afeto dos pais, e seus comportamentos é uma tentativa de reaver o afeto perdido. Quando a criança entende que ela tem a atenção e amor dos pais, mesmo existindo um outro, ela se sente mais segura.

Após o nascimento do bebê é natural que por algum tempo a mãe fique mais envolvida com os cuidados do recém-nascido e que haja menos tempo para se dedicar ao primogênito. Embora não exista uma receita para lidar com essa situação, tenho observado que alguns pais tem incluído a criança nos cuidados com o bebê, e isso tem aproximado à criança dos pais, ajudando também na construção do vinculo entre irmãos.

Neste período mais crítico, a ajuda do pai é fundamental. Ele pode ajudar passando mais tempo com o primogênito, dando suporte nesse momento em que ele de certa forma se sente excluído, e também por colaborar para que a rotina dessa criança tenha a menor interferência possível, facilitando o ajustamento da criança à nova circunstancia.

 Como a terapia pode ajudar?

A terapia proporciona um espaço de expressão e experimentação, pois, através do lúdico a criança pode expressar seus medos e angústia e aprender a lidar com eles de forma mais saudável.

O que tenho percebido é que o simples fato de ter um lugar só delas neste momento em que seu “lugar no mundo” parece ameaçado, já lhe proporciona mais segurança e suporte, fazendo com que não precise mais se utilizar de um sintoma para lidar com a situação.

Gostou da matéria? quer maiores informações? Entre em contato com a psicóloga Tatiana Queiroz!

psicologo  infantil barra da tijuca

Tatiana Queiroz é psicóloga clínica, Gestalt- terapeuta formada pelo “Curso de Especialização  em Gestalt-terapia e Atendimento Familiar” do IGT . Realiza atendimentos a criança, adulto, casal e família na Tijuca e Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ. 

 

 

 

 

Bibliografia:

AGUIAR, Luciana. A compreensão diagnóstica em Gestalt-terapia com crianças (p.116 a 184). In: Gestalt-terapia com crianças: teoria e prática. Editora Livro Pleno, 2005.

OLIVEIRA, Débora Silva de; LOPES, Rita de Cássia Sobreira. Implicações emocionais da chegada de um irmão para o primogênito: uma revisão da literatura. Psicol. estud.,  Maringá,  v. 15,  n. 1, Mar.  2010 . Available from <http: //www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-73722010000100011&lng

=en&nrm=iso>. Acesso: 01 Out. 2012.

 

PEREIRA, Caroline Rubin Rossato; PICCININI, Cesar Augusto. O impacto da gestação do segundo filho na dinâmica familiar. Estud. psicol. (Campinas),  Campinas,  v. 24,  n. 3, Sept.  2007 .   Available from<http://www.scielo.br/scielo.

php?script=sci_arttext&pid=S0103-166X2007000300010&lng=en&nrm=iso>. Acesso: 01 Out. 2012. 

 

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