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A importância dos limites para o desenvolvimento

Assuntos: Criança e Adolescente | Autor: Ana Paula L. Mêda | | Postado em 19.10.2015

A importância dos limites para o desenvolvimentoO tema “limite” é tão amplo que poderíamos ficar horas discutindo sobre as nuances, contextos e formas de entender o que é limite. No entanto, o objetivo deste texto é apenas trazer à tona a reflexão: “em que medida os limites  são importantes para o desenvolvimento do meu filho?”

Para começar, proponho o seguinte questionamento: o que é limite?

Limite.S.m. 1. Linha de demarcação; raia. 2. Local onde se separam dois terrenos ou territórios contíguos, fronteira. 3. Fim, termo.” – Minidicionário Aurélio

Portanto, podemos compreender o limite como algo que dá contorno e “define” quem sou e quem é o outro e até onde posso ir. É importante termos em mente que as crianças não nascem sabendo diferenciar-se dos outros. É através das relações que estabelecem primeiramente com a família, posteriormente na escola e em todos os outros contextos sociais (encontros religiosos, prática de esportes e curso diversos, por exemplo) que a criança começa o longo período de diferenciação e individuação e, grande parte desse processo está relacionada aos limites e à forma como são aplicados.

Ao contrário do que muitos pensam, as crianças precisam de limites, já que não têm maturidade emocional e cognitiva para fazer determinadas escolhas e lidar com suas possíveis consequências. Elas não sabem, por exemplo, que deixar de tomar banho pode causar problemas de saúde, e ainda que isso seja explicado para elas, não há noção e dimensão do que isso significa. Elas não sabem que a aula de natação irá ajudar no seu controle motor e alongamento, nem mesmo que o futebol auxilia a convivência em grupo e negociação de regras. Elas também não podem compreender a importância de adquirir o hábito da leitura e do estudo para o seu futuro.

É compreensível que o dia-a-dia dos pais, com todas as transformações que a configuração familiar vem sofrendo, seja desgastante e, muitas vezes, sobre pouca energia para conduzir e orientar os filhos. Por vezes, há também a crença de que não se deve entrar em conflito, já que passam pouco tempo com a criança. Porém, dar limites significa auxiliar na segurança emocional delas.

Os limites estão intimamente relacionados à frustração que, por sua vez, é experienciada como um sentimento ruim de perda ou de fracasso. Porém, é importante compreender que a frustração estará presente ao longo de toda a vida e, portanto, dar limites ao seu(a) filho(a) significa também prepará-lo(a) para lidar com as frustrações que sofrerá em diferentes contextos: relacionamentos, trabalho e esportes, entre outros.

Uma das maiores dificuldades dos pais das crianças que atendo é lidar com a reação da criança à frustração. Para que esse momento se torne mais fácil, seguem algumas dicas:

  1. Verifique o que é e o que não é possível flexibilizar. Por exemplo: hoje irá passar um dos filmes favoritos bem no horário em que ela costuma tomar banho. Será possível flexibilizar o horário do banho diante de tamanho desejo da criança?
  2. A regra que está propondo é seguida também pelos outros membros da casa. Por exemplo, você não permite que seu(a) filho(a) coma diante da TV ou do videogame, mas você costuma fazer as refeições diante do computador?
  3. Sentir raiva também é uma das reações à frustração. Tente compreender que quando o seu filho diz “eu odeio você!”, ele esta querendo dizer “eu fico com raiva quando não posso fazer algo que queria muito”. Como as crianças não possuem a mesma maturidade neuronal e cognitiva dos adultos, essa é a forma que ele (a) encontra de demonstrar sua insatisfação.

Nesse momento auxilie-o (a) a compreender o que está acontecendo e a construir um maior e mais coerente repertório de sensações. Você pode dizer a ele (a) que também fica com raiva/chateado(a)/irritado(a) quando você quer algo e não pode e  busque um exemplo que possa fazer sentido para ele(a) e mostre a alternativa que você cria para lidar com a sua frustração.

As crianças precisam de alguém que lhes diga o que fazer e como fazer até que possam ir adquirindo, aos poucos, autonomia, senso crítico e valores que passem a nortear suas escolhas e ações. Mas isso é um processo, que demandará sua ajuda e paciência.

Em geral, o trabalho e o desgaste em estabelecer limites nos primeiros anos de vida proporcionam melhor saúde emocional para lidar com as novidades e adversidades ao longo da vida. Portanto, vale a pena! Mas, não esqueça que, para seu (a) filho(a), você é um modelo a ser seguido então não adianta a máxima “faça o que falo, não faça o que eu faço”.

psicologo de criança, psicologo barra da tijuca e tijuca.Ana Paula L. Mêda  é psicóloga clínica e realiza atendimentos a crianças, adolescentes e adultos na Tijuca ( Praça Saens Pena ) e Barra da Tijuca (Parque das Rosas), na cidade do Rio de Janeiro-RJ. Clique aqui e conheça mais sobre seu trabalho!

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