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Confiando na verdade

Assuntos: Psicólogo RJ, Relacionamentos | Autor: Joseph Zinker | | Postado em 05.10.2013

Sempre aprendo muito lendo Zinker!

Intimidade e verdade

Começamos os relacionamentos com mentiras ou com “pequenas verdades” ao simplificar aquilo que sabemos sobre nós e sobre o outro. Dizemos coisas como: “Você tem olhos bonitos” ou “Eu sou psicólogo”. Essas são mentiras porque não contamos ao outro tudo o que vemos, nem contamos muito sobre aquilo que pensamos ou sentimos.

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A confiança aumenta quando temos experiências repetidas de interações bem-sucedidas, quando compartilhamos algo, desenvolvemos um tema e temos uma sensação de satisfação e de resolução no final. À medida que a intimidade aumenta, podemos contar cada vez mais a verdade, mais do que apenas o esqueleto de nossos sentimentos e pensamentos.

A verdade é proveitosa, íntegra e complexa. Se alguém de quem você gosta lhe perguntar: “Você me ama?”, você precisará de uma tarde inteira para dizer tudo o que sente. Quando diz a verdade, você tem de se esforçar para articular como se sente e o que pensa. É difícil dizer a verdade porque nem sempre você gosta daquilo que sente, nem sabe aquilo que pensa, até dizê-lo. E você também não sabe como isso será recebido até que seja dito. Dizer a verdade é pintar o quadro inteiro:

“”Bem, eu amo sua mente — o modo como você simplifica as coisas importantes. Entretanto, algumas vezes acho difícil quando você fica de “dona da verdade” em relação àquilo que sabe. É a parte “dona da verdade” em você que me afasta. Suponho que isso acontece porque não gosto de meu próprio jeito de ser “dono da verdade”.

E eu gosto do modo como você ensina: alto, claro e direto — um aluno se sente seguro com você.

A sua paixão é especial para mim. Algumas vezes você me surpreende com sua praticidade. Você diz: “Eu tenho duas coisas para fazer esta noite: revisar um manuscrito com você e depois fazer amor com você —como seria isso para você?”. Você me deixa perplexo e depois me aquece. Você me encanta.

Você tem um jeito de objetivar o sentimento.

Você é graciosa a maior parte do tempo. Na verdade, eu nunca a vi se mover de modo pesado. Você anda e dança de modo gracioso. Você nada de modo gracioso. Só uma vez, quando você estava ensinando numa classe avançada e um aluno fez uma pergunta provocativa, você ficou defensiva e perdeu a sua graça.

Eu amo os seus confrontos e as suas queixas. Eles me mobilizam e me avivam. Mas quando viajo, tenho dificuldade de lidar com suas queixas ao telefone. Não consigo lidar com elas quando não vejo seu rosto e quando minha energia está baixa.””

Mentiras que ficam de fora:

Esta é apenas uma parte do trabalho de contar a verdade a uma pessoa íntima. Mesmo com o maior esforço para contar a verdade, existe alguma “mentira” mínima — deixando de fora coisas que são dolorosas demais para serem ditas em voz alta ou que quebram a boa forma, ou enfatizando o lado forte do amor para um acontecimento especial como um aniversário. A modulação do que e de como algo é comunicado é parte do trabalho de dizer a verdade.

Podemos rejeitar alguém com uma mentira rápida, mas dizer a verdade implica contar a história inteira, buscando as palavras certas que representem nossa verdadeira experiência. E necessário tempo para compartilhar a experiência real. É difícil obter intimidade.

Verdade com cautela

Quando algo é revelado e repentinamente nos sentimos conhecidos demais, expostos demais, magoados ou traídos, se não houver um tempo para que o rasgão seja consertado — a abertura no tecido emocional — as mentiras reaparecerão para ajudar a amenizar o contato. Nós nos afastamos ao contar mentiras, ao não dizermos certas coisas simplificando algo, evitando ou mudando de assunto. Temos de prestar atenção tanto a dizer quanto a receber a verdade — isso não pode ser feito apressadamente.

Como podemos receber bem a verdade?

 Isso depende de quanto estamos enraizados, apoiados em nós mesmos, em nosso próprio centro, e de quão fortes nos sentimos em oposição a estarmos vulneráveisou de guarda baixa.

Sob condições ideais, deixe que a afirmação do outro passe sobre você, sem se apressar e sem responder prematuramente. Deixe que o outro fale totalmente. Permita-se desfrutar daquilo que é bom, nas palavras e nas frases que se encaixam, e deixe que as coisas que não se encaixam, ou que trazem dor, fiquem como estão, sem engoli-las. Deixe-as de lado para pensar em um momento futuro em que você se sinta sóbrio e não envolvido; tente experimentá-las e veja o que acontece. Se, nesse momento, as afirmações ainda não fizerem sentido, você tem duas opções:

1. Fazer perguntas para obter maior esclarecimento.

2. Jogar o material numa lata de lixo psicológica de coisas que parecem “indigestas” e que não valem a pena ser desenvolvidas nem mesmo com um amigo íntimo.

Texto extraído do livro:

Referência:A Busca da elegância em psicoterapia: Uma abordagem gestáltica com casais, famílias e sistemas íntimos. / Joseph C. Zinker

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