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Anorexia Nervosa

Assuntos: Saúde | Autor: Ana Maya S. El Mann | | Postado em 19.05.2014

anorexia nervosaAtualmente, nos encontramos em uma cultura onde a valorização da beleza tem se tornado cada vez mais forte. O corpo magro é encarado como símbolo de beleza, poder, autocontrole e modernidade. Isto leva o público a acreditar que, o corpo pode ser moldado e é importante estar dentro deste padrão para ser bem aceito na sociedade.

O ser humano é um ser complexo, cuja vivência se dá pela correlação de diversos fatores distintos tais como: os emocionais, psicológicos, fisiológicos, sociais, biológicos e outros. E a exigência supracitada, de uma beleza universal, pode muitas vezes levar o sujeito, em sua maioria, jovens do sexo feminino, a uma auto exigência impossível de ser alcançada e, muitas vezes a uma baixa autoestima.

Diante deste cenário, cresce o número de pessoas que apresentam transtornos alimentares e, escolhi a anorexia nervosa para discursar um pouco. E claro, que não viso esgotar o tema, mas esclarecer em que consiste, quais as características e que tratamentos são possíveis para superar esta dificuldade.

O que é a Anorexia Nervosa?

A anorexia nervosa que é uma doença auto-imposta, que leva a busca pela magreza e o medo de engordar provocando sérios graus de emagrecimento, não existindo a perda de apetite, mas sim uma luta obstinada contra a fome. A preocupação central do paciente é com o peso e a forma do corpo em si, além da negação das sérias consequências da perda de peso. O hábito alimentar torna-se cada vez mais secreto, bizarro e ritualizado. E, todas essas atitudes levam o paciente a um progressivo isolamento de amigos e da própria família.

As características essenciais da Anorexia Nervosa são a recusa do paciente a manter um peso corporal na faixa normal mínima associado a um temor intenso de ganhar peso. Uma inanição deliberada e auto imposta, seguida de uma busca implacável por magreza e por um medo mórbido de engordar, levando a sérios graus de emagrecimento.

Como começa a doença:

A doença começa a partir de uma dieta restritiva e persistente, com evitação de alimentos que provocam ganho ponderal, geralmente carboidratos. O quadro tem como fator desencadeante algum evento significativo, como: perdas, separações, mudanças, doenças orgânicas ou outro fator estressante para o paciente e/ou sua família. Aos poucos a pessoa passa a viver exclusivamente em função da dieta, da comida, do peso e da forma do corpo. Acontece uma contínua e importante redução de peso e da forma corporal. A distorção da imagem corpórea existe com grande frequência, mas pode não ocorrer em todos os casos. Quando há distorção da imagem corporal, a pessoa se sente gorda, mesmo em estágios avançados de desnutrição.

Características:

  Quando seriamente abaixo do peso, muitos pacientes com Anorexia Nervosa manifestam sintomas depressivos, tais como humor deprimido, retraimento social, irritabilidade, insônia e interesse diminuído por sexo. Esses pacientes podem ter quadro clínico e sintomático que satisfaz os critérios para Transtorno Depressivo Maior. Muitos dos aspectos depressivos podem ser secundários às sequelas fisiológicas e clínicas da desnutrição. Os sintomas de perturbação do humor devem, portanto, ser reavaliados após uma recuperação completa ou parcial do peso.

Outras características ocasionalmente associadas com a Anorexia Nervosa incluem preocupações acerca de comer em público, sentimento de inutilidade, uma forte necessidade de controlar o próprio ambiente, pensamento inflexível, espontaneidade social limitada e iniciativa e expressão emocional demasiadamente refreadas.

O exame físico desses pacientes pode mostrar amenorréia (supressão de menstruações), queixas de intestino preso (constipação), dor abdominal, intolerância ao frio e letargia. Também pode haver queda significativa na pressão arterial (hipotensão), hipotermia e pele seca. A maioria dos pacientes com Anorexia Nervosa apresenta pulso lento (bradicardia).

A Anorexia pode levar a morte? 

A anorexia nervosa pode levar à morte em consequência das alterações orgânicas e metabólicas secundárias à desnutrição e desequilíbrio eletrolítico. Isso exige uma constante avaliação clínica e laboratorial. Sua evolução é variável, podendo ir de um episódio único com recuperação ponderal e psicológica completa, o que é mais raro, até evoluções crônicas com inúmeras internações e recaídas sucessivas. O índice de mortalidade em função direta da doença é estimado entre 6 e 10%.

A grande maioria dos pacientes mantém alterações psicológicas ao longo de toda a vida, tais como dificuldades de adaptação conjugal, papel materno mal elaborado, adaptação profissional ruim e desenvolvimento de outros quadros psiquiátricos, notadamente a depressão.

 Entre as duas primeiras há uma maior proximidade com relação às características como: preocupação constante com o peso e a forma do corpo, mecanismos como exercícios excessivos e indução de vômitos. Enquanto que a terceira patologia, obesidade mórbida, diferencia-se, pois, o obeso não consegue parar de comer, apresentando um excesso de peso, falta de exercícios físicos, etc.

 As formas de tratamento encontradas na bibliografia para os três transtornos  consistem na farmacoterapia, psicoterapias e, no caso da obesidade,  a cirurgia de estômago.

Tratamentos oferecidos

 Normalmente o paciente é levado para tratamento por membros da família, após a ocorrência de uma acentuada perda de peso ou fracasso em fazer os ganhos de peso esperados. Quando o paciente busca auxílio por conta própria, geralmente é em razão do sofrimento subjetivo acerca das seqüelas físicas e psicológicas da inanição (baixa auto-estima, insatisfação consigo mesmos, sentimentos de tristeza, frustração e outros).

Raramente um paciente com Anorexia Nervosa se queixa da perda de peso em si. Essas pessoas freqüentemente não possuem insight para o problema ou apresentam uma considerável negação quanto a este. Por isso, com frequência se torna necessário obter informações a partir dos pais ou outras fontes externas, para determinar o grau de perda de peso e outros aspectos da doença.

Há uma variedade de tratamentos oferecidos para os transtornos alimentares. Seguem abaixo os mais encontrados:

  • Farmacoterapia: consiste na utilização de medicação, na maioria antidepressivos e drogas anorexígenas (anorexia e bulimia);
  • Psicoterapia dos transtornos alimentares em geral:  a psicoterapia individual e/ ou familiar de diversas abordagens (psicanálise, a terapia cognitivo-comportamental, terapias de grupo, terapia existencial-humanista), cujo objetivo comum é promover ao paciente seu autoconhecimento e ajudá-lo a identificar suas emoções, sentimentos, percepções, com o intuito principal de modificar este padrão de comportamento e a forma de lidar melhor com os acontecimentos;

Quando os pacientes anoréxicos atingem uma fase de desequilíbrio metabólico, é necessário um acompanhamento intenso. A presença de quadros depressivos graves, risco de suicídio, arritmia cardíaca, perda acentuada de peso, uso de drogas e outros fatores, tornam necessária a internação. No entanto, a grande maioria destes pacientes deve ser tratada em nível ambulatorial, mantendo assim suas atividades diárias. É importante destacar que na anorexia, a dieta hipercalórica é necessária para recuperação do paciente.

   Como psicóloga, considero o sujeito como um ser de relação e ao adotar uma visão holística da saúde e doença, e possível alcançar maior êxito no tratamento. Além de observarmos a importância dos exames clínicos e se necessário um acompanhamento médico concomitante com a terapia, trabalhamos o sujeito, inserido no seu contexto, um ser dinâmico que está sempre em processo de construção/desconstrução, cujo sintoma está representando algo de sua história. Assim, não rotulamos o paciente, nos importamos com a pessoa que está conosco, com o seu sofrimento e colaboramos para que se aproxime desse sintoma, para entendê-lo e assim, encontrar outros caminhos mais eficazes.

Logo, a ampliação do autoconhecimento permite à pessoa identificar o que está construindo tal sintoma, gerando assim a “possibilidade de uma natural superação do quadro, através da auto-regulação, que vem trazer uma forma de funcionamento mais harmônica e saudável” (Araújo, 2005).

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 Ana .Maya S. El Mann é psicóloga clínica, Gestalt- Terapeuta,   formada pelo ” Curso de Especialização  em Gestalt-terapia e Atendimento Familiar” do IGT  e formada pelo Centro de Psicologia Aplicada e Formação.Realiza terapeuta individual, de grupo, casal e família. Supervisora. Coordenadora de grupos terapêuticos, grupos de estudos, supervisão e cursos em Psicologia. 

Realiza atendimentos na Tijuca e  Copacabana, Rio de Janeiro, RJ. 

BIBLIOGRAFIA

ARAÚJO, AFM – Bulimia: Você tem fome de que?  Rio de Janeiro: Instituto de Gestalt- terapia e Atendimento Familiar,  2005; 

AUGRAS, Monique – O ser da compreensão: fenomenologia da situação de psicodiagnóstico. Petrópolis: Vozes, 1996 – capítulo 1, Por que não fenomenologia? (pág.7 a 17);

 BALLONE G.J., ORTOLANI IV – Bulimia Nervosa, in. PsiqWeb, Internet, disponível em <http://www.psiqweb.med.br/bulimia.html>, revisto em 2003;

 DALGALARRONDO, Paulo – Psicopatologia e Semiologia dos transtornos Mentais – Porto Alegre: Artes Médicas. Sul, 2000.

 PASSIANOTTO, LL.,site pesquisado: http://www.tanaadolescencia.hpg.ig.com.br, data: 07/05/2007.

 POLSTER, M. E POLSTER, E. – Gestalt terapia integrada. Belo Horizonte: Interivros, 1979 – capítulo 4 , O comércio da resistência (pág 78 a 99)

 ANTUNES NUNES, Maria Angélica e colaboradores – Transtornos Alimentares

Porto Alegre: Artes Médicas,1998.

 FONSECA, Afonso Henrique Lisboa da – Gestalt terapia Fenomenológico Existencial. Maceió, 2005.

 http://blogdoafonseca.blogspot.com 

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