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Anorgasmia

Assuntos: Sexualidade | Autor: Renata Vaz | | Postado em 02.06.2014

Lembro como se fosse hoje,  o dia em que a Rê apresentou no curso de especialização, seu trabalho sobre disfunções sexuais. Clara, precisa, calma e segura. Generosa, como sempre, mesmo  não trabalhando na área clínica, autorizou  publicação do conteúdo no site.  Obrigada, Rê ! O povo também agradece!

      anorgasmia    A anorgasmia se constitui numa disfunção sexual caracterizada pela dificuldade em atingir o orgasmo. Essa disfunção ocorre predominantemente em mulheres e acontece quando o indivíduo tem interesse sexual e é capaz de aproveitar e excitar-se com carícias, porém, ocorre um bloqueio no momento do orgasmo, que o impede de senti-lo.

          A anorgasmia pode ser encontrada no CID-10 sob o nome de “Disfunção Orgásmica”. Já o DSM-IV a classifica como “Transtornos do Orgasmo”.

          Segundo o Instituto de Gestalt Terapia do Rio de Janeiro, a anorgasmia pode ser classificada da seguinte forma:

Primária – o indivíduo jamais teve orgasmo nem em uma relação sexual nem através da masturbação.

Secundária – Quando, apesar de já ter vivido períodos em que atingia o orgasmo, deixou de consegui-lo.

Absoluta – Quando a pessoa não consegue atingir o orgasmo em nenhuma circunstância, nem pela relação sexual nem pela estimulação.

Situacional – A pessoa consegue atingir o orgasmo, porém apenas em determinadas situações específicas. Não se deve confundir anorgasmia com frigidez.  Na frigidez ocorre um desinteresse, uma falta total de desejo sexual.

 No trabalho da anorgasmia, deve-se enfocar a disfunção, analisando o caso para saber se a dificuldade se constitui de fatores psicológicos ou físicos. A psicoterapia pode estar baseada numa terapia individual, terapia de casal ou, ainda, o conjunto dos dois processos.

Fatores psicossociais X Fatores Orgânicos        

Segundo Veiga, em apenas 5% dos casos o fator determinante é a questão orgânica, como: algumas doenças, uso imoderado de álcool ou drogas psicoativas e dores na relação. Outras causas dizem respeito à má-formação congênita – que pode impedir o acesso ao clitóris, hipertrofia dos pequenos lábios – que pode encobrir o acesso à vagina, entre outras. Os fatores psicossociais são os que predominam como determinantes para o desenvolvimento deste quadro, tais como: a falta de intimidade com o próprio corpo; a falta de intimidade com o(a) parceiro(a); o excesso de contenção, provocado por uma estrutura de valores que supervaloriza a sexualidade e o desempenho sexual; a dificuldade de estar inteira, tranqüila, e a vontade no contato com o outro no momento da relação sexual; educação sexual castradora, fatores religiosos, tabus, crendices, violência sexual (abuso ou estupro), medo de engravidar, experiências obstétricas (no caso das mulheres) traumáticas, envelhecimento, dificuldades do cotidiano, baixa auto-estima, auto-exigência exacerbada, ansiedade, excessiva preocupação com o desempenho, insegurança, estresse, depressão, desconhecimento do próprio corpo, dificuldades ligadas a adicção.

Sexo nas relações

Conforme o Instituto de Gestalt Terapia do Rio de Janeiro (IGT), a relação sexual é um momento de muita intimidade e exposição, até pelo fato de as duas pessoas estarem sem roupa, portanto, para que a relação ocorra de forma satisfatória é necessário que o casal se sinta com um mínimo de segurança na relação e que, muitas vezes, o indivíduo acaba vivendo uma relação que não faz sentido para ele naquele momento.

         Em seu artigo, Veiga cita Silva para dizer que essas mulheres costumam manifestar um nível exagerado de controle com os próprios sentimentos, e nisso se inclui o sexo, não chegando a ponto de comprometer o interesse sexual, mas sim a capacidade orgástica. Esse controle se estende para outras esferas da vida, na forma de controle social e pelo grau de equilíbrio e competência para contornar conflitos. Também podem manifestar grande explosividade em outras esferas, quando, devido ao acúmulo de conflitos, ocorre a irritabilidade.

         Para Veiga, o diagnóstico refere-se a uma dificuldade no relacionamento ou algum impedimento na comunicação com o parceiro. Dessa forma, deve-se cuidar para que não seja adotado um modelo de sexualidade machista, entendendo o tempo necessário para essa mulher se sentir excitada e ser capaz de atingir o orgasmo.

Se o parceiro considerar a ejaculação como ponto final da atividade sexual e esse tempo for relativamente curto, como na ejaculação precoce, por exemplo, pode-se originar uma anorgasmia. Se o orgasmo dele não for o fim da atividade sexual, é possível que a mulher disponha de tempo suficiente para atingir o orgasmo.

Psicoterapia  e  autoconhecimento 

  Na psicoterapia objetiva-se trabalhar os aspectos psicológicos que não permitem um completo funcionamento corporal, para tal, deve-se criar condições para a ampliação do auto conhecimento, de forma que o indivíduo possa conhecer seu corpo, se tocar, aperfeiçoar a atenção no que lhe dá prazer e o que não dá, quais são os estímulos excitantes, restringindo os focos de ansiedade que possam inibir a sensação de prazer e excitação e desmistificando algumas crenças que sejam percepções equivocadas sobre a sexualidade.

Propõe-se, portanto, que o indivíduo tome ciência dos seus impulsos sexuais, de modo a ajudá-lo, sem a obrigação do orgasmo, a liberar emoções e a viver a espontaneidade de sentir prazer.

Gestalt- Terapia         

Na Gestalt-terapia, o objetivo é perceber qual o significado do sintoma para este indivíduo, o que esse quadro mostra em relação à forma de funcionamento desse indivíduo nas suas relações.  Para Veiga, a terapia de casal objetiva facilitar a comunicação do mesmo, além de mediar um conhecimento maior sobre o funcionamento da relação, ajudando a descobrir, entre outros fatores, de que forma o casal se perde em sua vida cotidiana, e como isto se reflete na dinâmica sexual.

Gostou da matéria? Entre em contato conosco! Temos em nosso grupo sexólogos especializados para melhor atende-lo! 

 

Bibliografia consultada

DORNELLES, Claudia (trad.). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 4ª edição. Texto revisado. Porto Alegre: Artmed, 2002.

BALLONE, G.J. Frigidez Sexual. In: PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br/sexo/frigidez.html. Revisto em 2004.

BALLONE, G.J. Ejaculação Precoce. In: PsiqWeb Psiquiatria Geral, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br/sexo/ejacul.html. Revisto em 2002.

www.igt.psc.br

CAETANO, Dorgival (trad.). Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10: Descrições Clínicas e Diretrizes Diagnósticas. Organização Mundial da Saúde (coord.). Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

VEIGA, Ana Paula. Orgasmo: Querer e Poder.  In: Revista IGT na Rede, Internet, disponível em www.igt.psc.br.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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