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Ciúme Patológico ou “Síndrome de Othello”

Assuntos: Autoestima, Relacionamentos, Terapia Cognitivo-Comportamental | Autor: Taissa Moreira | | Postado em 22.01.2016

ciúme patológico

Meu objetivo ao escrever este artigo é para ajudar pessoas que estão passando pela problemática do “ciúme patológico” que está cada vez mais comum em nossa sociedade.Tenho encontrado ultimamente no consultório muita demanda de tratamento para esta determinada questão. O ciúme não depende de gênero (feminino ou masculino). É um sentimento e comportamento de difícil identificação, pois muitos quando chegam ao consultório estão repletos de conflitos e prejuízos em diversas áreas de sua vida como família, saúde, afetiva, profissional, financeira e até a própria vida. 

O delírio de ciúme ou Síndrome de Othello: 

 O ciúme patológico,  pode ser também chamado de  “Síndrome de Othello”, em referência ao personagem shakespeariano que sofria deste mal, pode levar a pessoa a cometer atos de extrema agressividade física, configurando aqueles casos que recheiam as crônicas policiais de suicídios e homicídios passionais. A pessoa se comporta da seguinte forma: 

 “Você fez a barba hoje porque vai encontrar com a outra.” 
 “Você chegou atrasado (a) porque com certeza você foi encontrar com o outro (a).” 

A pessoa sai de uma desconfiança para uma certeza delirante. 

E afinal o que significa ciúme patológico?

É um desejo obsessivo de controle total sobre os sentimentos e comportamentos do outro (a). Tratando-se de ciúme quase não existe diferença, entre uma certeza, imaginação, fantasia e crença pois estes são vagos e imprecisos. No ciúme as dúvidas são transformadas em ideias supervalorizadas ou inclusive delirantes.

Explicando o comportamento do “ciumento patológico”:

Inicialmente a pessoa apresenta ideias de ciúme e posteriormente faz a verificação total e compulsória de suas dúvidas. Verificando onde o parceiro está e com quem disse que estaria, abre correspondências, ouve telefonemas, examina bolsos, bolsas, carteiras, recibos, roupas íntimas, segue o companheiro (a) ,contrata detetives particulares, etc.

Estes comportamentos obsessivos são a tentativa de aliviar sentimentos, até em momentos de consciência considerados fora do normal pelo próprio ciumento, mas não amenizam as suas dúvidas sobre fidelidade e traição.

Inclusive quando o cônjuge permite omitir informações na tentativa de minimizar os graves problemas de ciúme, nunca é suficientemente detalhada ou fidedigna para o ciumento e muitas vezes agravam mais ainda a desconfiança e o ciúme.

O ciúme patológico é tratado pela Psicoterapia Cognitivo- Comportamental e pela Psiquiatria, e deve-se olhar com cuidado para esta patologia, pois ela envolve sérios riscos e sofrimentos. Na psicopatologia o ciúme pode se relacionar com diversos transtornos emocionais. O mais comum é o Transtorno Obsessivo- Compulsivo (TOC). E outro quadro patológico aonde o ciúme patológico é frequente é no Alcoolismo Crônico e em constantes Dependências Químicas.

De acordo com Cavalcante (1997):

“O ciúme, curiosamente, tende a crescer em nossa sociedade. Mesmo com a liberação dos costumes, com a facilidade de se separar e reconstruir casamentos,  existe hoje uma supervalorização do ter, do saber, do sentir que “isso é meu”. Essa sociedade, extremamente possessiva, alimenta o mito do ciúme. Vigiar e zelar , para não perder, o que penso que é meu”   

Pode-se argumentar, perguntando: Quem gosta cuida e quer proteger o relacionamento e a pessoa amada? Ou seja, o ciúme não é algo natural e esperado de qualquer relacionamento?

Responde-se: Sim. Mas, quando causa prejuízo para si e para o outro, interferindo nas áreas da vida da pessoa se torna algo patológico. Não existe uma escala que nos diz quando o ciúme passa de normal para patológico. O ciúme quando se torna patológico é definido como a persistente idéia de que o parceiro (a) possui outros relacionamentos não importando qual seja a sensação e que a relação afetiva está em constante ataque por parte de outras pessoas. Nesse sentido, a pessoa que sofre de ciúme patológico interpreta todas as situações do ambiente como ameaçadoras e a consequência  destas interpretações é que o relacionamento corre perigo.

Podemos perceber que o ciúme patológico causa intenso sofrimento para o casal e para o ciumento porque tudo vira uma prova clara de traição e  o parceiro precisa se submeter a questionamentos, brigas, controle de todas as formas e em alguns casos ter a sua integridade física ameaçada.

O ciúme patológico é diagnosticado quando existem sintomas e sinais específicos e em conjunto. Podemos dizer que as principais características da Síndrome é ter o controle da pessoa amada com a presença de comportamento de fiscalizar com intuito de controlar. Quando já existem agressões físicas e ameaças de diversas ordens, o relacionamento já está ameaçado e aí é preciso de uma ajuda de um profissional especializado como um psicoterapeuta. E na vítima do ciumento começa a se instalar transtornos psicológicos como de Ansiedade e Depressão. A vítima perde a identidade e a paz.

A psicoterapia cognitivo-comportamental, abordagem contemporânea, com mais evidências científicas de efetividade é indicada para o tratamento para o “Ciúme Patológico”. Sua função é auxiliar na modificação nas atitudes e comportamentos prejudiciais. Através da psicoterapia TCC (Terapia Cognitivo-comportamental) o paciente poderá reestabelecer o autocontrole das emoções, melhorar a autoestima e aprender a ter relacionamentos afetivos saudáveis.

Quem sofre de ciúme patológico desenvolve padrões de comportamentos baseados na forma que interpreta a sua realidade, a psicoterapia tem a função de modificar tais pensamentos e crenças que atingem seu relacionamento. O acompanhamento terapêutico tem como objetivo conduzir o paciente a transformar seu estilo de vida e construir relacionamentos interpessoais com qualidade.

Uma prévia que pode facilitar o controle do pensamento em relação ao ciúme, de acordo, com  a Terapia Cognitivo- Comportamental (TCC):

  • Admitir e reconhecer que está com ciúme.
  • Identificar a situação que houve este sentimento e qual o exato momento em que ele surgiu.
  • Lembrar exatamente o que estava acontecendo naquele momento e o que passou na sua cabeça, que significa seus Pensamentos.
  • Verificar se o que você pensou, está de fato baseado na realidade ou na sua imaginação. As coisas da realidade são comprováveis e possíveis de fazer você manter o equilíbrio.
  • Caso ainda assim, você crê que têm motivos para sentir ciúmes, pergunte-se o que você pretende alcançar, em seguida esclareça e
  • tente ficar bem ou apenas aliviar-se ou livrar-se do sentimento.

 

Concluindo: o ciúme patológico é um fenômeno natural e universal, de modo a ser impossível de evitá-lo, no entanto, existem mecanismos de condicioná-lo a nosso favor. Existe a possibilidade de lidar com a questão, sem evitá-la ou   mascará-la. O ciúme proporciona muito sofrimento, tanto ao indivíduo que sente quanto a alguém que convive com o ciumento e por ser um sentimento doloroso, por muitas vezes até destrutivo   merece atenção.

Referencia Bibliográfica:

CAVALCANTE, Antonio Mourão. O ciúme patológico. 3ed. RJ: Rosa dos Tempos, 1997.

terapia cognitivo comportamental barra da tijucaTaissa Moreira é psicóloga formada pela PUC- Rio. Realiza atendimentos psicoterapêuticos à adolescentes, adultos, terceira idade, casais e família nos bairros da Barra da Tijuca e Ipanema, no Rio de Janeiro, RJ.

 

 

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